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Jornal do Meio Dia

Natal: da celebração religiosa às tradições culturais ao redor do mundo

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O Natal é um dos feriados mais celebrados do mundo e, tradicionalmente, marca o nascimento de Jesus Cristo para os cristãos. No entanto, a forma como a data é comemorada hoje passou por profundas transformações ao longo dos séculos, incorporando elementos religiosos, culturais e até comerciais.

Curiosamente, os primeiros seguidores de Jesus não comemoravam seu nascimento de forma anual. As celebrações cristãs iniciais eram centradas principalmente na ressurreição, lembrada na Páscoa. Os relatos sobre o nascimento de Jesus aparecem apenas nos Evangelhos de Mateus e Lucas, com detalhes distintos, mas ambos situam o nascimento em Belém.

A origem da data do Natal

Não há registros históricos que indiquem o dia, mês ou ano exatos do nascimento de Jesus. De acordo com estudiosos, a escolha do 25 de dezembro como data oficial do Natal ocorreu apenas no século IV, durante o Império Romano.

Nesse período, sob o governo do imperador Constantino, o cristianismo passou a ser reconhecido oficialmente, e os fiéis começaram a se reunir em igrejas. Algumas teorias indicam que a data foi escolhida para coincidir com festivais pagãos do solstício de inverno, como a celebração romana do Sol Invictus, que também ocorria em 25 de dezembro.

Atualmente, a maioria dos cristãos celebra o Natal nessa data, embora algumas tradições ortodoxas orientais sigam o calendário juliano e comemorem o nascimento de Jesus em 7 de janeiro.

Do tumulto medieval ao Natal familiar

Durante a Idade Média, o Natal era marcado por festas ruidosas, banquetes e consumo excessivo de bebidas, muitas vezes realizados nas ruas. Para determinados grupos religiosos, a data chegou a ser vista com desconfiança.

Foi apenas no século XIX que o Natal começou a ganhar o perfil mais familiar conhecido hoje, com foco no lar, nas crianças e na troca de presentes. Grande parte das tradições modernas surgiu na Alemanha, espalhando-se depois pela Grã-Bretanha e pelos Estados Unidos.

Obras literárias tiveram papel importante nesse processo. A publicação de “Um Conto de Natal”, de Charles Dickens, em 1843, ajudou a consolidar valores como solidariedade, generosidade e convivência familiar associados à data.

O Papai Noel e suas origens cristãs

A figura do Papai Noel tem origem em São Nicolau, um bispo cristão do século IV que viveu na região da atual Turquia. Conhecido por seus atos de bondade e generosidade, São Nicolau tornou-se símbolo de caridade, especialmente em favor das crianças.

A devoção ao santo se espalhou pela Europa durante a Idade Média. Com o tempo, especialmente após a Reforma Protestante, a figura religiosa foi se transformando, dando origem ao Papai Noel secular, como é conhecido hoje. Nos Países Baixos, ele permaneceu como Sinterklaas, tradição levada posteriormente para os Estados Unidos.

Diferentes personagens e tradições pelo mundo

Embora o Papai Noel seja o personagem mais conhecido, ele não é o único responsável pela entrega de presentes. Na Grécia e em Chipre, por exemplo, São Basílio é quem traz os presentes, na véspera do Ano Novo. Em regiões da Itália, Santa Lúcia e a Befana fazem parte das tradições natalinas.

Na Islândia, o folclore local fala dos 13 Yule Lads, personagens que visitam as casas das crianças nos dias que antecedem o Natal. Cada cultura adaptou a celebração à sua própria história e costumes.

Tradições cristãs e símbolos do Natal

Entre as tradições mais antigas do Natal está o uso de vegetação perene, como árvores e ramos verdes, dentro das casas. Para os cristãos, esse simbolismo está ligado à promessa de vida eterna.

A árvore de Natal, como conhecemos hoje, começou a ser utilizada na Alemanha, no século XVI, e se popularizou posteriormente em outros países. Presépios, cultos religiosos e corais natalinos também fazem parte das tradições cristãs que atravessaram gerações.

Frango frito no Natal japonês

Entre as curiosidades natalinas contemporâneas, destaca-se o Japão. Desde a década de 1970, tornou-se tradição no país celebrar o Natal com frango frito do KFC. A ideia surgiu após uma campanha publicitária bem-sucedida, inspirada por clientes estrangeiros que buscavam uma alternativa ao peru, pouco comum no país.

A tradição se consolidou de tal forma que, atualmente, muitos japoneses fazem pedidos com meses de antecedência para garantir a refeição natalina.