Manhã Super Difusora
Geise Muniz, enfermeira obstetra da Unimed Sul Paulista, alerta sobre violência obstétrica e orienta gestantes em Itapetininga
A enfermeira obstetra Geise Muniz, da Unimed Sul Paulista, participou do programa Manhã Super Difusora nesta quarta-feira (11), em Itapetininga, para falar sobre parto humanizado, violência obstétrica, direitos da gestante, preparação para o parto e os protocolos adotados pela Unimed para garantir segurança, acolhimento e respeito às mulheres durante a gravidez e o nascimento dos bebês.
Durante a entrevista, Geise destacou que o parto é um dos momentos mais intensos e desafiadores da vida de uma mulher, e que o preparo começa antes mesmo da concepção. Segundo ela, a proteção contra a violência obstétrica começa quando a mulher se informa, escolhe sua equipe e define como deseja viver esse momento.
“A proteção contra a violência obstétrica começa antes da concepção. Quando a mulher pensa em engravidar, ela já precisa pensar na via de parto, em quem vai acompanhá-la e em como quer ser tratada”, afirmou.
O que é violência obstétrica?
Geise explicou que muitas práticas consideradas comuns no passado hoje são reconhecidas como formas de violência obstétrica, como impedir a mulher de se movimentar, privá-la de alimentação, desrespeitar sua dor, usar termos pejorativos ou diminuir sua autonomia.
“Ficar deitada por horas sem necessidade, privar a mulher de comer, usar palavras que a diminuem ou não chamá-la pelo nome também é violência obstétrica. Tudo o que ela quer naquele momento é respeito, acolhimento e dignidade.”
A enfermeira reforçou que, por muitos anos, o parto normal foi estigmatizado, mas hoje as mulheres buscam cada vez mais informação e protagonismo sobre suas escolhas.
“A gente se acostumou com o mínimo. Quando descobre que merece mais, a mulher busca informação para ter um parto mais respeitoso.”
Unimed autoriza doulas e reforça protocolos de acolhimento
Entre os avanços citados, Geise destacou que a Unimed Sul Paulista passou a autorizar a presença de doulas, enfermeiras obstetras externas e fotógrafos, desde que previamente cadastrados e seguindo protocolos hospitalares.
“A mulher pode ter um acompanhante de livre escolha e uma doula. Tudo organizado, com cadastro prévio, garantindo segurança, acolhimento e respeito às normas do hospital.”
Ela explicou que o hospital revisou recentemente seus protocolos de entrada e permanência de acompanhantes, garantindo controle de infecção hospitalar e preservação do ambiente cirúrgico.
“O hospital precisa ter regras. Não é qualquer pessoa que pode entrar. Mas quem entra deve estar ali para somar e ajudar a mulher naquele momento.”
Quem decide o tipo de parto?
Segundo Geise, a decisão inicial sobre o tipo de parto é da mulher, em conjunto com o médico do pré-natal, mas a conduta final depende das condições da mãe e do bebê no momento do trabalho de parto.
“A mulher decide junto com o pré-natalista, mas o que vai ditar o parto é a evolução do trabalho de parto. Nosso objetivo é não colocar mãe e bebê em risco.”
Ela destacou que parto normal e cesárea têm pontos positivos e negativos, e que a prioridade é sempre garantir a saúde da mãe e do recém-nascido.
“O melhor parto é aquele em que a mãe sai com o filho nos braços, amamentando, saudável.”
Cursos para gestantes e preparo para o parto
A enfermeira também falou sobre o curso de gestante da Unimed, que prepara as mulheres em três etapas ao longo da gravidez, abordando sinais de trabalho de parto, funcionamento do hospital e o que esperar do momento do nascimento.
Além disso, as gestantes podem realizar visitas guiadas ao hospital, conhecer as salas de parto e o alojamento conjunto, fortalecendo a segurança emocional.
“Informação traz segurança. Quanto mais a mulher sabe, mais preparada e confiante ela se sente.”
Dicas para uma gravidez saudável
Geise reforçou a importância de atividade física, controle de peso, acompanhamento nutricional e fisioterapia pélvica, serviço que também é oferecido pela Unimed.
“A atividade física, a perda de peso antes da gravidez, o acompanhamento nutricional e a fisioterapia pélvica ajudam muito no preparo para um parto mais seguro.”
Ela explicou que a fisioterapia pélvica auxilia inclusive na simulação da fase expulsiva do parto, preparando o corpo da mulher.
“Essas profissionais simulam o momento do expulsivo, ajudando a mulher a entender e se preparar para o parto.”
Informação como ferramenta de empoderamento
Ao final, Geise ressaltou que o conhecimento é a principal ferramenta para que mulheres tenham partos mais humanizados, seguros e respeitosos.
“Buscar informação é o melhor caminho para viver uma gestação e um parto com mais tranquilidade e autonomia.”
