Jornal do Meio Dia
Professor Alequexandre Galvez divulga a Bienal Sudoeste Paulista, critica impactos das telas na educação e apresenta livros sobre autismo e Maria Helena Dias
O professor, educador e escritor Alequexandre Galvez esteve em Itapetininga para divulgar a Bienal Sudoeste Paulista, defender o fortalecimento da leitura na formação de crianças e adolescentes, alertar sobre os impactos do uso excessivo das redes sociais e telas e apresentar dois projetos literários: o livro “Autismo no Mercado de Trabalho”, de sua autoria em parceria com Nélio Fernando dos Reis, e a obra “Milagres de Maria Helena Dias”, que resgata relatos de fé ligados à menina considerada santa por muitos moradores da cidade.
Durante a entrevista, o professor destacou que a Bienal nasceu a partir de valores humanos, educacionais e sociais, com foco na família, na infância, na cultura e na formação crítica.
“A ideia da Bienal surge com quatro princípios fundamentais: cuidar das nossas crianças, cuidar da natureza, cuidar dos animais e cuidar da família. Tudo isso passa pela leitura e pela educação”, afirmou.
Segundo Galvez, a leitura é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento intelectual, emocional e social das novas gerações, especialmente em um mundo cada vez mais dominado pelo ambiente digital.
“Nós vivemos um mundo digital, mas o livro ainda é um dos principais instrumentos para desenvolver foco, disciplina, aprendizado e senso crítico. A leitura ajuda a construir um futuro mais sólido para nossas crianças.”
📱 Impactos do excesso de telas e redes sociais na educação
O professor fez um alerta sobre o uso indiscriminado de celulares e redes sociais, afirmando que o consumo rápido e superficial de conteúdo pode prejudicar a memória, a concentração e o pensamento crítico.
“Quando a pessoa passa o tempo rolando a tela, muitas vezes ela não consegue dizer o que aprendeu naquele dia. Isso compromete o repertório intelectual e a capacidade de observação.”
Ele citou comparações feitas a partir da neurociência, explicando que o cérebro reage de forma diferente ao consumo passivo de redes sociais e à escuta ativa, como ocorre no rádio ou na leitura de um livro.
“Quando você ouve rádio ou lê um livro, você exercita foco, disciplina e imaginação. Já a rede social acelera o sistema mental e deixa a pessoa cansada, com a sensação de que fez muito, mas aprendeu pouco.”
Galvez também mencionou estudos que relacionam o excesso de estímulos digitais à perda de memória e a efeitos semelhantes aos estágios iniciais de demência.
“Há pesquisas que apontam perda de massa cinzenta e empobrecimento do repertório cognitivo. Em casos extremos, o comportamento pode ser comparado ao início de quadros de demência.”
Outro ponto abordado foi a redução do senso crítico e da tolerância ao diálogo, associada ao consumo acelerado de informações.
“As pessoas estão menos dispostas a ouvir opiniões diferentes. Isso gera intolerância e enfraquece o debate saudável, que é essencial para a formação cidadã.”
📚 Bienal Sudoeste Paulista: cultura, literatura e identidade regional
A Bienal Sudoeste Paulista, prevista para acontecer em junho, foi apresentada como um evento cultural amplo, que vai além da literatura e envolve diversas manifestações artísticas e educacionais.
“A Bienal não é apenas sobre livros. Ela reúne escritores, músicos, artistas, educadores e especialistas. É um encontro cultural integrado, que valoriza os talentos de Itapetininga e da região.”
De acordo com Galvez, o evento busca fortalecer a produção literária local, estimular a participação das famílias e ampliar o acesso a conteúdos culturais e educacionais.
“Queremos que os pais tragam seus filhos, conversem com autores, participem das atividades e resgatem o hábito da leitura dentro de casa.”
Ele também ressaltou que a Bienal será gratuita e que o projeto conta com apoio institucional, incluindo o deputado Edson Giriboni e a Associação Brasileira de Administração, presidida pela professora Terezinha Covas.
“A Bienal não é minha. Ela é da cidade. Nosso objetivo é que ela cresça como um patrimônio cultural de Itapetininga.”
Além disso, está prevista a participação de professores e especialistas internacionais, incluindo convidados dos Estados Unidos, ampliando o intercâmbio cultural e educacional.
📖 Livro “Autismo no Mercado de Trabalho” e inclusão social
Outro destaque da entrevista foi o livro “Autismo no Mercado de Trabalho”, que aborda os desafios, oportunidades e caminhos para a inclusão de pessoas autistas no ambiente profissional.
A obra traz reflexões sobre neurodiversidade, empregabilidade, capacitação profissional e políticas de inclusão, ampliando o debate sobre o papel da sociedade na valorização das diferenças.
“Precisamos preparar o mercado e a sociedade para incluir pessoas autistas com dignidade, respeito e oportunidades reais.”
✝️ “Milagres de Maria Helena Dias”: fé, memória e devoção em Itapetininga
O professor também apresentou o projeto do livro “Milagres de Maria Helena Dias”, que reúne cartas, relatos, objetos de devoção e testemunhos de fiéis ligados à menina Maria Helena Dias, figura de grande devoção popular em Itapetininga.
“São flores, cartas, balas, agradecimentos e objetos deixados por pessoas que acreditam ter recebido milagres. É a fé viva do povo de Itapetininga.”
Segundo ele, o túmulo de Maria Helena Dias, no Cemitério São João Batista, está entre os mais visitados da cidade, atraindo fiéis inclusive de outros municípios.
“Conheci uma senhora de Ribeirão Preto que veio a Itapetininga apenas por causa da devoção à Maria Helena.”
Galvez relatou ainda um testemunho pessoal emocionante, afirmando que acredita ter recebido um milagre em sua própria família, o que motivou o nome de sua filha.
“Na minha vida, ela operou um milagre. Minha filha se chama Maria Helena em sinal de gratidão e fé.”
Ele defende que o local seja reconhecido como um espaço religioso e de devoção, preservando a memória e a espiritualidade da cidade.
