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Jornal do Meio Dia

Jorge Paunovic, presidente do Conselho da Casa Kennedy, e Walkiria Paunovic, presidente do Centro Cultural, falam sobre reforma, desafios financeiros e continuidade das atividades culturais em Itapetininga

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O Jornal do Meio-Dia desta sexta-feira, 13 de fevereiro, recebeu nos estúdios da Super Difusora o casal Jorge Paunovic, presidente do Conselho da Casa Kennedy, e Walkiria Paunovic, presidente do Centro Cultural Brasil–Estados Unidos – Casa Kennedy, para uma entrevista especial sobre o momento atual da instituição, que passa por reformas estruturais sem interromper suas atividades culturais em Itapetininga.

Durante a entrevista, os convidados destacaram que, apesar das obras em andamento, a programação cultural segue ativa, com cursos, exposições e projetos voltados à formação artística e preservação histórica da cidade.

Logo no início da conversa, Walkiria ressaltou a importância de manter a cultura viva mesmo em meio às dificuldades.

“É um prazer estar aqui com vocês sempre na oportunidade que temos de falar sobre cultura, sobre arte, que é tão importante nessa vida corrida.”

Atividades culturais seguem a todo vapor

Mesmo com o prédio passando por melhorias internas e externas, o Centro Cultural mantém uma agenda intensa. Entre as atividades oferecidas estão o Projeto Guri, com inscrições abertas para aulas gratuitas de percussão, violão e coral, além de cursos de teatro, fotografia, cerâmica, artes plásticas e inglês.

Walkiria fez um convite direto às famílias:

“Em vez do seu filho ficar na rua, leve ele lá. Faça a inscrição para ele aprender música. Já tem os instrumentos disponíveis e é tudo gratuito.”

A programação inclui ainda exposições artísticas, como a mostra fotográfica “Arquitetura da Beleza – Itapetininga”, reforçando o compromisso da instituição com a valorização da identidade local.

Reforma preserva história e moderniza estrutura

A Casa Kennedy completará 78 anos no próximo mês. Fundada em 1948, a instituição é considerada um dos mais importantes polos culturais do interior paulista. Segundo os entrevistados, a reforma atual busca preservar a arquitetura histórica, ao mesmo tempo em que moderniza os espaços expositivos.

Walkiria explicou que o museu abriga o Museu Carlos Aires, que possui um dos maiores acervos do interior paulista, com obras de artistas renomados.

“As telas vão necessitando de moldura, restauração, cuidados na iluminação. Muitas já estavam craqueladas por conta da exposição prolongada à luz.”

Ela citou o trabalho recente de restauração de uma obra de Salvador Rodrigues, que havia sofrido desgaste após décadas de exposição solar direta.

Jorge também explicou que a próxima etapa da reforma prevê climatização e iluminação adequada no museu, garantindo melhor preservação das obras.

“As telas necessitam de umidade certa, temperatura certa e iluminação certa. Não é qualquer luz. Se não cuidar, a obra se deteriora.”

Desafios financeiros e mobilização da comunidade

Um dos pontos mais enfatizados na entrevista foi a ausência de recursos governamentais fixos para manutenção da Casa Kennedy. A instituição é mantida por meio de doações, eventos beneficentes, venda de alimentos, rifas e apoio de empresários locais.

Walkiria destacou que todas as despesas — água, luz, telefone, alarme e pequenos reparos — são custeadas com recursos arrecadados pela própria diretoria.

“Toda vez eu ligo para o tesoureiro e pergunto: como está nossa conta? Quando está baixa, a gente faz comida, vende doce, faz rifa para levantar caixa.”

Jorge reforçou o caráter coletivo do patrimônio:

“A Casa Kennedy é uma entidade particular, mas não é minha nem da Walkiria. É um patrimônio da população de Itapetininga. Nós estamos apenas cuidando.”

Durante a pandemia, segundo ele, as despesas continuaram mesmo sem atividades externas, e muitas contas foram pagas com recursos próprios, para que a instituição não fechasse as portas.

Preservação da memória e participação da comunidade

Outro ponto destacado foi a contribuição de famílias da cidade que doam documentos históricos, móveis e peças raras ao museu. Recentemente, a instituição recebeu uma balança antiga de farmácia e diplomas históricos, que passam a integrar o acervo.

“É um registro dos antepassados das pessoas da cidade. Ajuda a contar a nossa história”, afirmou Walkiria.

Ao final da entrevista, o casal reforçou o convite para que empresários e moradores colaborem por meio de doações via Pix, trabalho voluntário ou apoio institucional.

“Qualquer valor ajuda. É um trabalho sério, feito por uma diretoria formada por pessoas comprometidas com a cultura da cidade”, concluiu Walkiria.

A entrevista reforçou o papel fundamental da Casa Kennedy na preservação da memória, valorização do artista local e formação cultural de jovens em Itapetininga — mostrando que, mesmo em meio às reformas, a cultura não para.