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Delegada e vereadora Júlia Nunes, reforça campanha “Na Folia Ou Não, Não É Não!” contra a importunação sexual

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A delegada, vereadora e protetora dos animais Júlia Nunes esteve na rádio nesta terça-feira (17/02) para falar sobre a campanha “Na Folia Ou Não, Não É Não!”, iniciativa que reforça o combate à importunação sexual, violência contra a mulher, abuso infantil e o respeito ao consentimento, especialmente durante o Carnaval.

Durante entrevista ao programa Manhã Super Difusora, Júlia destacou que a campanha vai muito além do período carnavalesco e tem como objetivo promover uma transformação cultural profunda sobre o respeito ao corpo, à liberdade e à autonomia.

“A gente precisa normalizar o poder de falar não. Não é só no Carnaval. É sobre respeito à nossa integridade física, à nossa integridade sexual. Quando alguém diz não, precisa ser respeitado. Sem agressão, sem violência, sem perseguição”, afirmou.

Cultura machista e dificuldade de aceitar o “não”

Segundo Júlia Nunes, a dificuldade de aceitar o “não” não é biológica, mas cultural.

“Não é algo biológico. É cultural. Durante muito tempo a mulher foi tratada como propriedade. Há menos de 100 anos não podíamos votar. Há pouquíssimo tempo precisávamos de autorização do marido para trabalhar, viajar ou até fazer laqueadura. Isso mostra como essa cultura é recente e ainda está sendo desconstruída.”

Ela reforçou que a campanha combate a chamada cultura do machismo, que historicamente colocou o homem em posição de hierarquia sobre a mulher.

“Não existe relação de hierarquia entre homem e mulher. Existe relação de igualdade, de isonomia. A mulher precisa ter liberdade para dizer que não quer um relacionamento, que não quer continuar, sem ser ameaçada ou perseguida.”

Importunação sexual no Carnaval é crime

Um dos focos da campanha neste período é o enfrentamento à importunação sexual durante o Carnaval.

“Só porque a mulher está fantasiada ou com roupas mais curtas, ninguém tem o direito de tocar nela. Passar a mão é crime. É importunação sexual. Não pode ser tolerado.”

A delegada enfatizou que o respeito ao consentimento deve ser absoluto.

“Quando a pessoa fala não, é não. Não tem insistência, não tem força, não tem violência.”

Proteção de crianças e adolescentes

A entrevista também abordou um tema sensível e urgente: o abuso sexual infantil. Júlia alertou que, na maioria dos casos, os agressores são pessoas próximas da vítima.

“Muitas vezes é pai, padrasto, avô, alguém de dentro de casa. Esses criminosos manipulam, dão presentes, dizem que é carinho e pedem segredo. Não existe segredo de adulto para criança.”

Ela orienta que crianças e adolescentes sejam ensinados sobre limites do próprio corpo.

“Precisamos ensinar que partes íntimas ninguém pode tocar. Nem pai, nem mãe, nem ninguém. E se alguém tocar, a criança precisa contar para alguém de confiança: professora, diretora, vizinha.”

A delegada também destacou campanhas pedagógicas como o “semáforo do toque”, que orienta de forma lúdica os limites corporais.

Denúncia é proteção

Júlia reforçou a importância da denúncia como instrumento de proteção e quebra do ciclo de violência.

“A denúncia só prejudica o agressor. O silêncio beneficia quem comete o crime.”

Ela lembrou que vítimas de violência doméstica, sexual ou perseguição podem denunciar pelo Disque 180, canal gratuito e anônimo, além do registro de boletim de ocorrência online.

“Mesmo que o agressor controle o celular, a vítima pode usar o aparelho de outra pessoa. O importante é não se calar.”

Campanha permanente

Apesar de ganhar força durante o Carnaval, a campanha “Na Folia Ou Não, Não É Não!” tem caráter permanente.

“Não é só sobre festa. É sobre libertação. É sobre a mulher poder dizer ‘eu não quero mais isso’ e ter sua decisão respeitada.”

A iniciativa mobilizou a comunidade, ganhou adesão popular e reforça um debate essencial: consentimento, respeito e proteção são direitos fundamentais.