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Jornal do Meio Dia

Cateline Telles, mãe de Valentina, fala sobre doença rara da filha e mobiliza vaquinha solidária em busca de tratamento

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A mãe Cateline Telles esteve nos estúdios da rádio nesta terça-feira, 24 de fevereiro, para compartilhar a história da filha Valentina, de 9 anos, diagnosticada com uma doença rara e degenerativa. Durante a entrevista, Cateline detalhou os desafios enfrentados pela família, explicou como funciona o tratamento e mobilizou a comunidade para contribuir com a vaquinha solidária criada para custear os cuidados médicos.

Moradora de Itapetininga, Cateline abriu o coração ao falar sobre a filha, que até os cinco anos levava uma vida normal. “A Valentina corria, fazia balé, tocava piano, cantava… sempre foi muito alegre. Apesar da doença, a alegria dela continua”, contou emocionada.

Primeiros sinais e diagnóstico

Os primeiros sintomas surgiram de forma inesperada, em um momento simples de infância. “Ela estava no parquinho, correndo, quando teve o primeiro engasgo. Não tinha comido nada. Depois vieram outros episódios, com a própria saliva”, relembrou.

Com o passar do tempo, os engasgos evoluíram para vômitos frequentes, crises constantes e perda de peso severa. Em aniversários, datas que deveriam ser de celebração, Valentina muitas vezes estava internada ou passando mal. “Teve período em que ela ficou quase 30 dias sem conseguir se alimentar”, revelou.

A situação se agravou até que, durante uma internação em Sorocaba, profissionais de saúde perceberam a gravidade do quadro e iniciaram um acompanhamento mais aprofundado. A doença é degenerativa e provoca a formação de uma proteína que afeta os neurônios, levando à perda progressiva de habilidades motoras.

Desafios diários e superação

Hoje, a maior dificuldade de Valentina é a locomoção. Ela consegue dar alguns passos, mas não sustenta o peso do corpo por muito tempo. Também voltou a usar fraldas durante a noite, situação difícil emocionalmente, especialmente por ver os irmãos mais novos avançando no desfralde.

“Ela pergunta: ‘Mamãe, por que eu estou crescendo e voltando para a fralda?’ Explicar que é uma doença degenerativa é muito doloroso”, relatou Cateline.

A voz também foi afetada, devido ao comprometimento do palato mole. “Teve uma época que a gente quase não escutava mais a voz dela. Hoje ela canta, inclusive no coral da igreja, mas com dificuldade. É uma vitória.”

Um dos momentos mais marcantes foi quando um médico sugeriu a colocação de uma gastrostomia. Ao ouvir a explicação, Valentina respondeu: “Doutor, eu vou comer pela boca”. Segundo a mãe, após um ato de fé, a menina voltou a se alimentar normalmente. “Ela pediu para Jesus e nunca mais deixou de comer pela boca”, afirmou.

Tratamento e custos elevados

O tratamento atual envolve acompanhamento neurológico, suplementação intensa de vitaminas e protocolos específicos que auxiliam na criação de novas conexões neurais. Parte do atendimento será realizado na região Sul do país, com acompanhamento especializado.

Além disso, Valentina precisará de:

  • Suplementação mensal contínua

  • Terapias complementares

  • Uso de capacete para estímulo neural

  • Possível cadeira adaptada para auxiliar na postura

  • Monitoramento da escoliose, que pode evoluir e exigir cirurgia

“Não é só remédio. É consulta, locomoção, equipamentos… tudo é muito caro. Quando conseguimos manter o tratamento por dois ou três meses, vimos melhora. Quando paramos, a doença avançou rapidamente”, explicou.

Vaquinha solidária mobiliza comunidade

Para custear o tratamento, a família criou uma vaquinha online. Segundo Cateline, o valor inicial para o primeiro protocolo já foi alcançado graças à solidariedade de amigos, familiares e moradores de Itapetininga.

“A gente conseguiu o valor inicial, graças a Deus. Mas o tratamento é contínuo. Vamos precisar manter essa rede de apoio”, disse.

As doações podem ser feitas pelo perfil oficial da mãe no Instagram, @catelinetelles, onde estão disponíveis o link da vaquinha e a chave Pix gerada pela própria plataforma.

“Cada pessoa que compartilha, que doa, que ora por nós, faz parte dessa luta. Sozinhos não conseguimos”, reforçou.

A família, que também é composta pelo pai e pelos irmãos Isaac, Helena e o pequeno Olavo, de apenas 50 dias, segue confiante e unida. “Quem ama não desiste”, disse Cateline.

A história de Valentina é marcada por desafios, mas também por fé, mobilização e esperança — uma corrente do bem que segue crescendo em Itapetininga.