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Dra. Ivani Leite Vieira, cardiologista da Unimed Sul Paulista, fala sobre cuidados paliativos e a importância do acolhimento aos pacientes
A médica cardiologista Dra. Ivani Leite Vieira, uma das fundadoras da Unimed Sul Paulista há quase 40 anos, esteve nesta quarta-feira (04) nos estúdios da rádio para falar sobre um tema que ainda gera dúvidas, mas é essencial na área da saúde: os cuidados paliativos.
Com 48 anos de formada e trajetória marcada pela atuação na cardiologia e na construção da cooperativa médica na região, Dra. Ivani relembrou o início da Unimed e destacou que o crescimento da instituição sempre foi um sonho coletivo.
“Eu sonhava. Tudo o que aconteceu em relação ao hospital, ao pronto atendimento, à expansão da Unimed, foi um sonho sonhado e que está sendo realizado.”
Fundada quando a médica tinha apenas 33 anos, a cooperativa cresceu ao longo das décadas e se consolidou como referência regional, especialmente durante a pandemia, quando, segundo ela, o trabalho prestado à comunidade foi um diferencial.
“Foi diferencial o trabalho que a Unimed prestou a toda a comunidade.”
O que são cuidados paliativos?
Durante a entrevista, Dra. Ivani explicou que o maior equívoco em relação ao tema é associar cuidados paliativos apenas ao fim da vida.
“O principal objetivo dos cuidados paliativos é exatamente cuidar. Não é fim de vida, não é fim de tratamento. É cuidado.”
Ela explicou que o termo “paliativo” vem da palavra “pálio”, que simboliza proteção, e reforçou que esse tipo de atendimento vai muito além do controle da dor. Envolve atenção física, psicológica, social e espiritual.
Segundo a médica, a chamada “dor total” atinge não apenas o paciente, mas todo o núcleo familiar.
“Ninguém fica doente sozinho. Uma pessoa doente na casa é a família inteira doente.”
Para quem são indicados os cuidados paliativos?
Outro ponto importante abordado foi que o atendimento não é exclusivo para pacientes com câncer ou em fase terminal.
Doenças cardíacas graves, insuficiência cardíaca, doenças pulmonares crônicas como DPOC, pacientes renais em diálise, doenças autoimunes, casos neurológicos, pacientes em coma após acidentes e até crianças com paralisia cerebral podem necessitar de acompanhamento paliativo.
“É para toda pessoa que tem uma doença grave, que não tem cura e que se tornou crônica. Mas, na verdade, todo mundo merece cuidado.”
Ela também destacou que muitos pacientes e até profissionais ainda apresentam resistência inicial à inclusão da equipe paliativa.
“Nós gostaríamos que fôssemos solicitados desde o início. Existe um pouco de insegurança, uma resistência. Mas quanto antes houver esse cuidado ampliado, melhor.”
Equipe multidisciplinar e atenção domiciliar
Na Unimed Sul Paulista, o trabalho é realizado por uma equipe multidisciplinar formada por médicos clínicos, intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos. Há também o serviço de atenção domiciliar para pacientes que desejam continuar o tratamento em casa.
A médica ressaltou que o cuidado inclui o acompanhamento do chamado “luto antecipatório”, quando familiares já sofrem diante da evolução de uma doença grave.
“Para quem vai embora, é para aquela família também. Existe o luto antecipatório. Muitas vezes não é só o remédio de dor que resolve, é a palavra, é ter alguém que ouça.”
Desafios e humanização
Entre os desafios enfrentados pela equipe, Dra. Ivani destacou decisões delicadas, como a indicação de sondas alimentares em pacientes muito debilitados. Para ela, é preciso avaliar cada caso com sensibilidade, respeitando dignidade, autonomia e qualidade de vida.
“A doença não é só física. Ela é social, psicológica e espiritual.”
Ao final, deixou uma mensagem clara às famílias que ainda têm receio quando ouvem falar em cuidados paliativos:
“Cuidado paliativo é amor. É cuidar. E cuidar todo mundo merece.”
A entrevista reforçou a importância da informação e do acolhimento. Mais do que tratar doenças, os cuidados paliativos buscam garantir qualidade de vida, dignidade e suporte integral ao paciente e à família.
