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Jornal do Meio Dia

Delegada e vereadora Júlia Nunes fala sobre combate à violência contra a mulher e divulga programação do Mês da Mulher em Itapetininga

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A delegada de polícia e vereadora de Itapetininga, Júlia Nunes, participou do Jornal do Meio-dia desta terça-feira (10) para falar sobre a importância do debate em torno da violência contra a mulher e também divulgar as atividades programadas no município durante o Mês da Mulher. Entre as ações estão uma exposição artística e um cine debate que vão abordar o tema da violência doméstica e o fortalecimento da rede de apoio às mulheres.

Durante a entrevista, Júlia destacou que o mês de março é um período de reflexão importante para a sociedade, que precisa ir além das homenagens tradicionais e discutir temas sensíveis que afetam a vida de milhares de mulheres no Brasil.

Segundo ela, é fundamental reconhecer o papel da mulher na sociedade, mas também enfrentar de forma direta os problemas relacionados à violência.

O mês das mulheres não é só um mês de entrega de flores ou presentes. É importante reconhecer a importância da mulher na sociedade, dentro e fora de casa, mas precisamos falar de um tema que faz sangrar o nosso país todos os dias, que é a violência contra a mulher”, afirmou.

A delegada também destacou que o Brasil registrou um aumento preocupante nos casos de feminicídio. De acordo com ela, embora o crescimento das denúncias represente que mais mulheres estão buscando ajuda, o cenário ainda exige muita atenção das autoridades e da sociedade.

Infelizmente o Brasil bateu recorde no número de feminicídios no ano passado. Parte disso se deve ao fato de mais mulheres estarem denunciando, mas também existe um movimento machista que ainda vê a mulher como propriedade e inferioriza o papel feminino”, explicou.

Durante a conversa, Júlia também comentou que muitos casos de violência começam de forma silenciosa e evoluem dentro do ambiente familiar.

A violência muitas vezes começa de forma muito sutil dentro de casa. Começa com humilhações, xingamentos, desqualificação da mulher e, quando percebemos, já estamos diante de situações de violência psicológica, física ou até sexual”, destacou.

Exposição artística sobre a dor e a força de ser mulher

Uma das ações promovidas neste mês será a exposição artística “Frida, a força de ser mulher”, inspirada na história da artista mexicana Frida Kahlo, que também enfrentou diferentes formas de violência ao longo da vida.

A exposição é composta por obras da artista plástica Auxiliadora Faria, com curadoria de Walkiria Paunovic e Ana Elisa Bloes.

O lançamento da mostra acontece nesta terça-feira, às 19 horas, na Câmara Municipal de Itapetininga, com um pequeno coquetel de abertura. A exposição ficará aberta ao público até o dia 18 de março.

Segundo Júlia Nunes, a proposta da atividade é abordar a violência doméstica por meio da arte e da reflexão.

A ideia é trazer o debate da violência contra a mulher de uma forma diferente, que possa tocar as pessoas, mas que também permita reflexão e conscientização sobre essa realidade”, afirmou.

Cine debate vai discutir violência doméstica

Outra atividade prevista é o Cine Debate “Nenhuma a Menos – Itapetininga pela Vida das Mulheres”, que será realizado no dia 18 de março, às 19 horas, no plenário da Câmara Municipal.

O evento contará com a participação de profissionais que atuam diretamente no enfrentamento da violência doméstica, além de uma vítima de tentativa de feminicídio que vai compartilhar sua história.

Entre as participantes estão a juíza de direito criminal Mariana, responsável por julgar casos de violência doméstica na cidade, e a advogada Vivian, presidente da Comissão da Mulher da OAB de Itapetininga.

O encontro também terá a presença de Cláudia Salim, vítima de tentativa de feminicídio cujo agressor foi preso.

Durante o evento será exibido um curta-metragem que servirá como base para o debate com o público.

Será um evento com mais interação e participação das pessoas. Queremos ouvir as mulheres, discutir os sinais da violência e mostrar que existem caminhos para buscar ajuda”, destacou a delegada.

Rede de apoio às mulheres em Itapetininga

Na entrevista, Júlia Nunes também reforçou que o município conta com uma rede de apoio para atender mulheres vítimas de violência.

Entre os serviços disponíveis estão:

  • CRAS Mulher, que oferece atendimento com psicóloga, assistente social e advogada;

  • Casa da Mulher, que promove cursos e ações voltadas à autonomia financeira feminina;

  • Delegacia de Defesa da Mulher, especializada no atendimento a vítimas.

Além disso, a delegada ressaltou que as denúncias podem ser feitas presencialmente ou pela internet.

A mulher pode registrar o boletim de ocorrência online, pelo celular, sem sair de casa, ou presencialmente no plantão policial. Também é possível solicitar medida protetiva por esses meios”, explicou.

Ela também orientou que, caso alguma mulher se sinta mal atendida por órgãos de segurança, é importante formalizar reclamação.

Se houver um atendimento inadequado, a orientação é registrar reclamação na ouvidoria ou corregedoria. Precisamos melhorar continuamente o atendimento para que as mulheres se sintam seguras para denunciar”, afirmou.

Denúncia é o primeiro passo

Para a delegada e vereadora, denunciar a violência é o passo fundamental para evitar que casos evoluam para situações mais graves.

A denúncia é o primeiro passo para ajudar essas mulheres e evitar que a violência chegue ao feminicídio”, concluiu.