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Advogada Samira Albuquerque e Bob Almeida, do movimento “Sexta é Nós”, destacam mobilização contra a violência à mulher em Itapetininga

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A advogada Samira Albuquerque e Bob Almeida, representante do movimento “Sexta é Nós”, participaram do Jornal do Meio-dia desta quarta-feira, 18 de março, para discutir a mobilização “Eles por Elas”, campanha da OAB que busca engajar homens no combate à violência contra as mulheres em Itapetininga.

Durante a entrevista, os convidados destacaram a importância de transformar a indignação em atitude concreta, principalmente diante do aumento dos casos de violência registrados no país e na região. A iniciativa propõe uma mudança cultural, envolvendo diretamente os homens na construção de uma sociedade mais justa e segura.

Segundo Samira Albuquerque, a luta contra a violência não deve ser restrita apenas às mulheres, mas sim encarada como uma responsabilidade coletiva.

“A luta pela vida das mulheres diz respeito não só às mulheres, mas à sociedade como um todo. Quando falamos de agressões que acontecem dentro dos lares, é fundamental também ouvir os homens, entender suas dificuldades e trabalhar essa realidade”, afirmou.

A advogada também explicou que a campanha está alinhada com diretrizes já previstas na legislação, como a Lei Maria da Penha, que prevê acompanhamento psicossocial para homens agressores, com o objetivo de evitar a reincidência.

“É preciso quebrar o ciclo da violência também na vida do homem. Ele vai continuar se relacionando, então precisa passar por esse processo de conscientização”, destacou.

Dentro dessa proposta, será criado um núcleo de escuta voltado aos homens, ampliando o diálogo e promovendo reflexões sobre comportamentos, pressões sociais e padrões culturais que perpetuam a violência.

Já Bob Almeida reforçou o papel dos homens como agentes ativos nessa transformação social, defendendo uma postura mais consciente e participativa.

“Não basta não ser machista, é preciso ser antimachista. Eu estou em processo de desconstrução e entendo que o meu lugar é ao lado das mulheres nessa luta”, afirmou.

Ele também chamou atenção para o silêncio que ainda existe entre os homens diante de situações de violência, destacando a necessidade urgente de romper essa postura.

“Dar voz a quem não tem voz é o caminho. A gente precisa parar de validar esse tipo de comportamento. O silêncio também sustenta a violência”, disse.

Um exemplo citado por Bob durante a entrevista evidenciou como o controle e a opressão ainda estão presentes no cotidiano.

“Uma mulher me disse que não poderia participar de um evento porque o marido não deixava. Isso mostra que a violência não é só física, ela também está no controle e na limitação da liberdade”, relatou.

Samira reforçou que essas situações têm raízes históricas e culturais profundas, ligadas à construção social da desigualdade entre homens e mulheres.

“Durante muito tempo, a mulher foi tratada como parte do patrimônio do homem. Isso ainda reflete no comportamento de muitos, que enxergam a mulher como posse”, explicou.

A mobilização “Eles por Elas” acontece neste domingo, dia 22 de março, a partir das 10h, na Praça do Fórum Velho, em Itapetininga. O evento contará com roda de conversa, participação de famílias e a formalização do núcleo de escuta masculina.

A escolha do local também tem caráter simbólico, reforçando a importância do envolvimento dos poderes públicos no combate à violência.

“Queremos que Executivo, Legislativo e Judiciário estejam conosco nessa caminhada. É uma responsabilidade de todos”, concluiu Samira.