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Delegada e vereadora Júlia Nunes destaca conscientização sobre o autismo e explica projeto sobre canabidiol

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No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, a delegada de polícia e vereadora Júlia Nunes participou de uma entrevista para falar sobre inclusão, políticas públicas e o avanço de um projeto que prevê a distribuição gratuita de medicamentos à base de canabidiol pelo SUS municipal.

A data, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, tem como objetivo promover informação, reduzir o preconceito e ampliar o debate sobre os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante a entrevista, Júlia destacou que a conscientização precisa ir além de um único dia.

“Somente a informação vai reduzir, vai exterminar o preconceito. O desconhecimento e a falta de informação excluem mais do que o próprio diagnóstico do autismo”, afirmou.

A vereadora explicou que o projeto aprovado recentemente na Câmara Municipal cria uma política pública que autoriza, futuramente, a distribuição gratuita de canabidiol pelo SUS municipal. No entanto, ela ressaltou que a medida ainda depende de etapas importantes, como sanção do Executivo, regulamentação e estudos técnicos.

“A lei não garante o acesso imediato ao medicamento. Uma política pública precisa ser construída com responsabilidade financeira e científica”, explicou.

Segundo Júlia Nunes, a proposta foi baseada em legislação estadual já existente, que prevê a distribuição do canabidiol para casos específicos, como epilepsias refratárias — condições graves que não respondem a outros tratamentos. A expectativa, segundo ela, é que o município possa ampliar esse atendimento futuramente para outras condições, como o autismo e o Alzheimer, desde que haja comprovação científica e viabilidade financeira.

A vereadora também trouxe dados de uma pesquisa informal realizada com famílias da cidade, apontando que pelo menos 31 famílias já utilizam o canabidiol, muitas delas custeando o tratamento de forma particular ou por meio de decisões judiciais.

“Isso mostra o quanto esse medicamento pode impactar positivamente a qualidade de vida dessas pessoas”, destacou.

Além da questão médica, Júlia enfatizou o impacto emocional e social enfrentado pelas famílias atípicas. Com uma vivência pessoal no tema — sendo irmã de uma pessoa com autismo nível 3 —, ela relatou os desafios diários enfrentados.

“Minha irmã precisa de cuidados 24 horas por dia. Ela tem 31 anos, mas é como se tivesse quatro. São muitas demandas, muitos medicamentos, muitas terapias. E isso revela o quanto o poder público ainda precisa avançar”, relatou.

A vereadora também chamou atenção para a falta de estrutura adequada no atendimento às pessoas com autismo, citando filas de espera, dificuldades na inclusão escolar e escassez de profissionais qualificados.

“Os diagnósticos aumentaram, mas a estrutura pública não acompanhou esse crescimento. Isso gera um cenário muito preocupante para as famílias”, afirmou.

Ao final, Júlia Nunes reforçou que a inclusão não deve ser vista como um gesto de boa vontade, mas como um direito garantido.

“Inclusão não é favor. Inclusão é direito. E é dever de toda a sociedade garantir que ele seja respeitado”, concluiu.