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Manhã Super Difusora

Psicanalista Aline Concianci explica como terapia pode ajudar a superar traumas e fortalecer a autoestima

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A psicanalista Aline Concianci, especialista em comportamento humano e terapias emocionais, participou nesta segunda-feira (16) de uma entrevista na rádio para falar sobre terapia integrativa, saúde mental, autoestima e os impactos dos traumas na vida adulta. Durante a conversa, a profissional explicou como experiências da infância e relações familiares podem influenciar diretamente a forma como uma pessoa se enxerga e conduz sua vida.

A entrevista foi ao ar durante o programa Manhã Super Difusora, apresentado por Tuti, e trouxe reflexões sobre temas cada vez mais discutidos na sociedade, como depressão, vitimismo, autoestima, traumas emocionais e a importância da terapia.

Logo no início da conversa, Aline destacou que o comportamento humano é complexo e envolve múltiplos fatores.

“O ser humano é um leque muito grande de informações e aprendizados. Quando a gente fala de comportamento humano, o estudo nunca acaba”, explicou a psicanalista.

A profissional contou que iniciou sua trajetória na psicanálise, mas ao longo da prática percebeu a necessidade de ampliar os estudos para compreender melhor os diferentes transtornos emocionais que surgem no cotidiano.

“Depois que me formei, senti necessidade de me especializar em transtornos de humor e personalidade, porque muitos transtornos que antes não eram identificados hoje têm nome e são vistos com mais cuidado”, afirmou.

O que é terapia integrativa

Durante a entrevista, Aline explicou o conceito da terapia integrativa, abordagem que considera o indivíduo de forma ampla, analisando diferentes aspectos da vida e da história pessoal.

Segundo ela, o método vai além do tratamento de traumas profundos, trabalhando também o equilíbrio emocional no dia a dia.

“A terapia integrativa trabalha a regulação emocional e o equilíbrio do ser humano. É um olhar mais sistêmico, onde analisamos a história da pessoa desde o início da vida”, explicou.

Esse olhar sistêmico inclui fatores familiares, experiências da infância e até influências da vida intrauterina.

“A gente observa o ser humano como um todo. Muitas vezes analisamos desde a vida intrauterina, porque existem memórias emocionais registradas que influenciam o comportamento”, disse.

Traumas e mentalidade de escassez

Outro ponto abordado na entrevista foi o impacto de ambientes familiares difíceis na formação emocional de uma pessoa.

De acordo com a psicanalista, pessoas que cresceram em ambientes disfuncionais podem desenvolver uma chamada “mente de escassez”, que dificulta a prosperidade e a autoconfiança.

“Se alguém cresceu em uma família com muitos conflitos, falta de apoio ou validação emocional, isso pode gerar uma mente de escassez. E essa mentalidade muitas vezes impede a pessoa de prosperar”, explicou.

Aline destacou que nesses casos o trabalho terapêutico envolve ressignificar experiências passadas.

“O cérebro não entende que o passado passou. Para ele, tudo é o agora. Por isso precisamos levar novas informações para essas células de memória e ressignificar essas experiências”, afirmou.

Autoestima começa na infância

Um dos pontos mais importantes da conversa foi a discussão sobre autoestima, que segundo a especialista começa a ser construída ainda na primeira infância.

“A autoestima não é algo externo. É a estima que a pessoa tem por ela mesma, e ela começa a ser formada na primeira infância”, explicou.

Segundo a psicanalista, crianças que não foram validadas emocionalmente podem carregar inseguranças para a vida adulta.

No entanto, ela ressalta que a responsabilidade pela mudança está na própria pessoa.

“O trauma pode ter acontecido no passado, mas a responsabilidade de curar esses traumas é da própria pessoa”, afirmou.

Vítimismo e culpa nos outros

Durante a entrevista, também foi discutido o comportamento de pessoas que atribuem constantemente seus problemas aos outros.

Segundo Aline, esse padrão pode ser trabalhado na terapia.

“Existem pessoas que vivem no lugar do trauma e do vitimismo. E quando começam a melhorar, às vezes têm dificuldade de continuar porque deixam de ser o centro da atenção”, explicou.

Para a psicanalista, buscar ajuda profissional é um passo importante.

“Terapia é um ato de coragem. É se permitir olhar para suas dores, suas vulnerabilidades e decidir mudar”, destacou.

Aprender a dizer “não”

Outro tema importante abordado foi a dificuldade que muitas pessoas têm de estabelecer limites nas relações.

“Muitas pessoas não conseguem dizer não. Quando você diz não para alguém, muitas vezes está dizendo sim para você”, explicou.

Ela alerta que empatia em excesso também pode ser prejudicial.

“A empatia não pode ultrapassar o limite do que te faz mal. Se algo te deixa desconfortável, não é empatia, é falta de limite”, afirmou.

Quebrar ciclos familiares

Por fim, a psicanalista falou sobre a possibilidade de quebrar padrões familiares negativos, construindo novas formas de lidar com emoções e relações.

“Você pode honrar seus pais, reconhecer a história deles, mas não precisa seguir os mesmos padrões. É possível quebrar ciclos e construir algo diferente”, concluiu.