Delegada e vereadora Júlia Nunes destaca prevenção à violência, defesa das famílias atípicas e proteção animal
Durante entrevista ao Jornal do Meio-dia, Júlia Nunes defendeu políticas públicas preventivas, combate à violência contra mulheres e crianças e apoio às famílias atípicas.

A prevenção à violência contra mulheres e crianças, o fortalecimento das políticas públicas para famílias atípicas e a defesa dos direitos dos animais foram os principais temas da entrevista concedida pela delegada de Polícia e vereadora Júlia Nunes ao Jornal do Meio-dia desta segunda-feira (29), na Rádio Super Difusora. Durante a conversa, a parlamentar também falou sobre sua pré-candidatura a deputada estadual e explicou por que pretende ampliar sua atuação na Assembleia Legislativa.
Logo no início da entrevista, Júlia Nunes comentou a sequência de casos de violência registrados recentemente em Itapetininga e na região, incluindo tentativas de feminicídio, feminicídios e crimes contra crianças. Para ela, esses episódios demonstram que a violência doméstica está presente em todas as classes sociais e exige uma atuação preventiva muito antes da intervenção policial.
Segundo a delegada, quando um crime dessa natureza acontece, significa que diferentes estruturas da rede de proteção já falharam.
"Quando o crime acontece, a gente já viu a falha de todas as estruturas da nossa cidade. Não apenas da Segurança Pública, mas também da assistência social, da educação e da saúde. Precisamos trabalhar muito mais na prevenção."
Júlia destacou que o feminicídio raramente acontece de forma repentina. Na maioria das vezes, ele é precedido por ameaças, agressões físicas, violência psicológica, humilhações e outros sinais que precisam ser identificados e denunciados.
Ela reforçou que a punição dos agressores é indispensável, mas afirmou que salvar vidas depende principalmente de ações preventivas.
"Punir é indispensável. Mas salvar vidas exige que a gente haja antes."
Violência contra mulheres ainda enfrenta barreiras para denúncias
Durante a entrevista, Júlia Nunes explicou que muitas mulheres continuam sem denunciar seus agressores por medo, vergonha ou pela esperança de que o autor da violência irá mudar de comportamento.
Segundo ela, esse ciclo precisa ser interrompido por meio de acolhimento adequado nas delegacias, atuação da assistência social, atendimento psicológico e campanhas permanentes de conscientização.
A delegada ressaltou que o fortalecimento das políticas públicas é essencial para que as vítimas se sintam protegidas e tenham confiança para procurar ajuda antes que a violência evolua para casos extremos.
Proteção das crianças depende da participação de toda a sociedade
Outro tema abordado foi o aumento das denúncias envolvendo violência física e abuso sexual contra crianças e adolescentes.
Júlia explicou que mudanças repentinas de comportamento, isolamento, regressão no desenvolvimento, medo excessivo e machucados sem explicação podem indicar que a criança está sofrendo algum tipo de violência.
Ela destacou que professores, médicos, familiares e qualquer adulto que perceba esses sinais têm responsabilidade legal e moral de comunicar imediatamente os órgãos competentes.
"Todos nós temos responsabilidade na proteção das nossas crianças e adolescentes."
Segundo ela, boletins de ocorrência, acionamento do Conselho Tutelar e comunicação à rede municipal de proteção são medidas fundamentais para evitar que novas vítimas sejam feitas.
Segurança pública começa antes do boletim de ocorrência
Ao falar sobre sua experiência de quase 12 anos como delegada de Polícia e sua atuação como vereadora, Júlia afirmou que segurança pública não se resume ao trabalho policial.
Para ela, investir em educação, saúde mental, assistência social, geração de emprego, cultura e lazer é tão importante quanto fortalecer as forças policiais.
Segundo a parlamentar, políticas públicas preventivas apresentam resultados muito mais efetivos do que ações exclusivamente repressivas.
Alice mudou sua forma de enxergar a vida
Um dos momentos mais emocionantes da entrevista aconteceu quando Júlia falou sobre sua irmã Alice, diagnosticada com autismo nível 3 de suporte e não verbal.
Ela afirmou que a convivência com Alice transformou completamente sua maneira de compreender as dificuldades enfrentadas diariamente pelas famílias atípicas.
A experiência despertou um olhar ainda mais sensível para a necessidade de ampliar o acesso a terapias, medicamentos, inclusão escolar e apoio psicológico aos cuidadores.
"A Alice foi a minha maior virada de chave como mulher e como ser humano."
Segundo Júlia, além de defender os direitos das pessoas com deficiência, também é necessário criar políticas públicas voltadas aos familiares responsáveis pelos cuidados diários.
Lei do canabidiol nasceu da realidade das famílias
A vereadora também falou sobre a lei municipal que criou a política de distribuição gratuita de medicamentos à base de canabidiol pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Ela explicou que o projeto surgiu após ouvir relatos de famílias obrigadas a escolher entre pagar aluguel, custear terapias ou comprar medicamentos.
Júlia ressaltou que o canabidiol é um medicamento utilizado no tratamento de diversas doenças e transtornos, como autismo, epilepsia, Alzheimer e outras condições neurológicas, e não deve ser confundido com uso recreativo.
Segundo ela, a nova legislação permitirá que o município amplie os estudos para aumentar o número de pacientes atendidos futuramente.
Pré-candidatura busca ampliar políticas públicas
Ao final da entrevista, Júlia Nunes confirmou que é pré-candidata a deputada estadual pelo PSD.
Ela afirmou que pretende levar para todo o Estado de São Paulo projetos desenvolvidos em Itapetininga voltados à proteção das mulheres, crianças, pessoas com deficiência e animais vítimas de maus-tratos.
Segundo a delegada e vereadora, ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa permitirá ampliar recursos e fortalecer políticas públicas capazes de alcançar um número maior de pessoas.
Encerrando a entrevista, Júlia agradeceu o espaço concedido pela Rádio Super Difusora e reafirmou seu compromisso com a defesa das pessoas em situação de vulnerabilidade, destacando que a política deve ser utilizada como instrumento de transformação social.
