Inadimplência empresarial bate recorde no Brasil e especialista alerta para ação rápida antes do colapso financeiro
Com 8,9 milhões de empresas inadimplentes e R$ 213 bilhões em dívidas, advogado orienta empresários a reorganizarem as finanças antes do agravamento da crise.

O Brasil registrou um novo recorde de inadimplência empresarial em 2025. Dados da Serasa Experian apontam que 8,9 milhões de empresas encerraram o ano com dívidas em atraso, totalizando R$ 213 bilhões em débitos negativados. O crescimento representa cerca de dois milhões de CNPJs a mais em situação de inadimplência na comparação com dezembro de 2024, acendendo um alerta para o setor produtivo, especialmente entre micro e pequenas empresas.
Segundo o advogado especialista em Direito Bancário, João Marques, os pequenos negócios são os mais afetados por possuírem menor acesso a crédito com juros competitivos, pouca reserva financeira e reduzido poder de negociação com as instituições financeiras. O setor de serviços, que concentra mais da metade das empresas negativadas, também enfrenta maior vulnerabilidade devido à forte dependência de capital de giro.
O especialista explica que muitos empresários só percebem a gravidade da situação quando a saúde financeira da empresa já está comprometida. Um dos principais sinais de alerta ocorre quando as parcelas das dívidas passam a consumir mais de 30% do faturamento líquido mensal. Além disso, o uso constante do cheque especial, cartão corporativo para despesas fixas, contratação de novos empréstimos para quitar dívidas antigas e atrasos com fornecedores indicam a necessidade urgente de reorganização financeira e jurídica.
João Marques também chama a atenção para a importância da análise dos contratos bancários. Segundo ele, um julgamento em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que trata do Tema Repetitivo 1.378, poderá redefinir os critérios para identificar juros considerados abusivos nas operações bancárias, impactando diretamente empresas que discutem contratos na Justiça.
Mesmo diante da inadimplência, o advogado afirma que ainda existem alternativas para reduzir os prejuízos. Negociações com bancos, programas de parcelamento de débitos fiscais e o acompanhamento de uma assessoria jurídica especializada podem ampliar o poder de negociação das empresas e evitar consequências mais severas, como protestos, bloqueios e execuções judiciais.
Para João Marques, o maior erro é adiar a busca por soluções. Segundo ele, quanto mais tempo a empresa espera, maiores se tornam os juros, multas e restrições financeiras, reduzindo significativamente as possibilidades de recuperação do negócio. A orientação é que empresários busquem apoio especializado assim que surgirem os primeiros sinais de dificuldade financeira, preservando a competitividade e a sustentabilidade da empresa.
