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Independência do Brasil não foi um acontecimento de um único dia, explica o jornalista Silas Gehring Cardoso

Em entrevista ao Jornal do Meio-Dia, jornalista destacou que a Independência do Brasil foi um processo gradual e que o grito do Ipiranga representou apenas um ato formal

Independência do Brasil não foi um acontecimento de um único dia, explica o jornalista Silas Gehring Cardoso

A Independência do Brasil, celebrada em 7 de setembro, não foi resultado de um único acontecimento. O processo que levou à separação de Portugal começou anos antes de 1822 e continuou mesmo depois do famoso grito de Dom Pedro às margens do Ipiranga.

Em entrevista ao Jornal do Meio-Dia desta segunda-feira, 07 de setembro, o jornalista Silas Gehring Cardoso, editor-chefe da Folha de Itapetininga, explicou os principais acontecimentos que contribuíram para a Independência do Brasil e ajudou a contextualizar alguns dos episódios mais conhecidos da história brasileira.

Segundo Silas, a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, após a invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte, foi um dos acontecimentos importantes para o processo. A abertura dos portos, a criação do Banco do Brasil e da imprensa contribuíram para uma maior autonomia do país em relação a Portugal.

Independência foi além do grito do Ipiranga

Durante a entrevista, Silas destacou que o episódio de 7 de setembro de 1822 foi um ato formal que consolidou politicamente a Independência, mas não significou uma mudança imediata na realidade brasileira.

Depois do grito do Ipiranga, ainda ocorreram conflitos envolvendo tropas portuguesas em regiões como Bahia, Maranhão e Pará. Além disso, a escravidão continuou e a mesma dinastia permaneceu no poder tanto em Portugal quanto no Brasil.

O jornalista também explicou que a consolidação da Independência envolveu outros acontecimentos, como o reconhecimento do Brasil por diferentes países e o pagamento de uma indenização a Portugal.

A imagem de Dom Pedro e o “Independência ou Morte”

A tradicional imagem de Dom Pedro levantando a espada às margens do Ipiranga também foi discutida durante a entrevista.

Para Silas, o episódio deve ser compreendido dentro de um contexto maior de pressões políticas. Dom Pedro era pressionado a retornar para Portugal, mas também recebia pressão de grupos brasileiros favoráveis à Independência. O grito do Ipiranga acabou representando o desfecho de um processo que já estava em andamento.

Mudanças para a população foram graduais

Outro ponto abordado foi o impacto da Independência na vida da população brasileira.

De acordo com Silas, não houve uma transformação substancial e imediata na vida da maioria dos brasileiros. A elite econômica e agrária continuou exercendo poder e a escravidão permaneceu. As mudanças políticas ocorreram gradativamente, com destaque para a Constituição de 1824.

A entrevista também tratou de personagens e grupos que tiveram participação no processo de Independência, como José Bonifácio e a maçonaria, além das dificuldades de comunicação da época, que faziam com que as informações circulassem muito mais lentamente.

Independência ainda é tema de reflexão

Ao final da conversa, Silas destacou que a Independência deve ser compreendida como um processo histórico e não apenas como um acontecimento ocorrido em 7 de setembro de 1822.

Para o jornalista, o Brasil precisa preservar sua autonomia e, ao mesmo tempo, avançar na construção de um país com melhores condições de vida para a população.

A entrevista com Silas Gehring Cardoso, da Folha de Itapetininga, foi realizada no Jornal do Meio-Dia da Super Difusora nesta segunda-feira, 07 de setembro, dentro da programação especial sobre a Independência do Brasil.