Setembro de Segunda Mão: Cínthia Mádero e Fashion Revolution incentivam moda circular em Itapetininga
Campanha promove ações gratuitas durante setembro para incentivar a reutilização, troca, conserto e transformação de roupas e ampliar a discussão sobre moda circular

O Setembro de Segunda Mão promove durante o mês de setembro uma série de ações em Itapetininga para incentivar o consumo consciente, a reutilização de roupas e o fortalecimento da moda circular. A campanha é promovida pelo Fashion Revolution e reúne atividades como feiras de trocas, oficinas e iniciativas voltadas à economia circular.
Em entrevista ao Jornal do Meio-Dia desta quarta-feira, 9 de setembro, Cínthia Mádero, representante do Fashion Revolution em Itapetininga, explicou a proposta da campanha e falou sobre a necessidade de repensar a relação da sociedade com as roupas, desde a compra até o descarte.
Segundo Mádero, uma das principais propostas do Setembro de Segunda Mão é estimular as pessoas a comprar menos, comprar melhor, reutilizar e consertar. A ideia é prolongar a vida útil das peças e buscar alternativas antes que uma roupa seja descartada.
A campanha trabalha com diferentes possibilidades dentro da chamada moda circular, entre elas a troca de roupas, a compra e venda de peças usadas, o conserto, a customização e a transformação de materiais que já existem.
Ela também explicou que o objetivo não é apenas incentivar o consumo de segunda mão, mas também discutir os impactos provocados pela produção em larga escala e apresentar soluções que possam ser aplicadas no cotidiano.
Em Itapetininga, a programação inclui feiras de troca, oficinas de customização e ressignificação de tecidos, além de atividades em instituições de ensino e ações relacionadas ao projeto Closet Social.
Durante a entrevista ao Jornal do Meio-Dia, Mádero também destacou o impacto ambiental provocado pela produção de roupas.
Segundo a representante do Fashion Revolution, o Brasil produz aproximadamente 6 bilhões de peças por ano. Ela ressaltou que a produção excessiva também contribui para o aumento do volume de resíduos gerados pela indústria da moda.
Para a entrevistada, prolongar o tempo de uso de uma peça é uma das maneiras de reduzir esse impacto. Uma roupa pode continuar circulando por meio de consertos, trocas, doações, customizações ou pela comercialização no mercado de segunda mão.
Ela, porém, ressalta que brechós, doações e o comércio de roupas usadas, apesar de importantes, não são suficientes para solucionar sozinhos o problema do descarte.
Na avaliação do Fashion Revolution, também são necessárias mudanças em outras etapas da cadeia produtiva para reduzir a superprodução de roupas.
Outro ponto abordado por ela foi a relação entre o consumo e os hábitos da sociedade.
Ela explicou que existe uma relação natural entre comprar e a sensação de recompensa, mas defendeu a busca por um equilíbrio entre consumo, atividade econômica e responsabilidade ambiental.
Para a representante do Fashion Revolution, a sustentabilidade também precisa considerar as dimensões econômica e social. A proposta, portanto, não é simplesmente deixar de consumir, mas buscar formas mais responsáveis de produzir, comprar, utilizar e descartar.
As atividades promovidas pelo Fashion Revolution em Itapetininga são, em sua maioria, gratuitas e abertas ao público. Algumas oficinas precisam de inscrição prévia.
Entre as ações destacadas por ela durante a entrevista estão o Pit Stop Fashion Revolution, com oficina de colagem têxtil na Feira das Magnólias; uma oficina na Secretaria da Mulher para produção de roupas para cães e gatos utilizando retalhos; programação na Fatec; o Sexta com Elas, dentro das ações do projeto Closet Social; uma feira de trocas no Rosário; e uma oficina utilizando técnicas que unem crochê e retalhos para criação de novos materiais.
A proposta é permitir que a população conheça alternativas para prolongar a vida das roupas e, ao mesmo tempo, participe de discussões sobre sustentabilidade e consumo.
Quem quiser acompanhar as ações do Setembro de Segunda Mão em Itapetininga pode consultar as informações divulgadas pelo movimento nas redes sociais.
Durante a entrevista ao Jornal do Meio-Dia, Mádero informou que a programação do Fashion Revolution na cidade é centralizada no Instagram @moda.015
O movimento também recebe voluntários interessados em participar das ações e contribuir com as atividades.
A campanha defende que mudanças individuais podem ganhar força quando realizadas de forma coletiva. A proposta é começar por atitudes simples, como usar uma roupa por mais tempo, consertar uma peça, trocar aquilo que não é mais utilizado ou transformar um tecido que seria descartado.
