Violência doméstica envolve agressões psicológica, moral, patrimonial e sexual, explica Capitão Leme
Entrevista abordou os diferentes tipos de violência, o aplicativo SP Mulher, a Cabine Lilás e a participação da comunidade na prevenção.

A violência doméstica não está restrita à agressão física e pode se manifestar de diferentes formas. O tema foi discutido durante entrevista ao Manhã Super Difusora desta quarta-feira, 16 de setembro, com o PM Capitão Leme e Fábio Arruda Miranda, da Unimed Sul Paulista.
Durante a conversa, o Capitão Leme explicou que são reconhecidos seis tipos de violência: física, psicológica, moral, patrimonial, sexual e vicária. Segundo ele, a violência vicária ocorre quando o agressor utiliza filhos, enteados ou outras pessoas próximas para atingir psicologicamente a mulher.
O policial também destacou que nenhum tipo de violência deve ser considerado normal. De acordo com ele, o aumento dos registros de ocorrências pode estar relacionado, entre outros fatores, ao fato de as mulheres terem mais informação e segurança para procurar ajuda e acionar a Polícia Militar.
O atendimento, segundo o Capitão Leme, não deve terminar na ocorrência. A atuação envolve uma rede de proteção que pode reunir Polícia Militar, Polícia Civil, Judiciário e CRAS, com ações de prevenção, acolhimento e acompanhamento.
Entre os recursos disponíveis está o aplicativo SP Mulher. Conforme explicado durante a entrevista, a ferramenta permite que a mulher acione a Polícia Militar e também pode ser utilizada quando já existe uma medida protetiva e ocorre o descumprimento por parte do agressor. O acionamento é direcionado ao COPOM.
Outro recurso citado foi a Cabine Lilás, presente nos Centros de Operações da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Segundo o Capitão Leme, as ocorrências de violência doméstica recebem um atendimento direcionado, geralmente realizado por uma mulher, com atenção e acolhimento específicos para a situação.
A entrevista também abordou o papel da comunidade. O Capitão Leme afirmou que, diante de uma suspeita de violência, é possível acionar a rede de proteção. O CRAS e a Polícia Militar, por exemplo, podem realizar visitas e acompanhar a situação.
A orientação também se estende aos homens. Durante a conversa, foi ressaltada a importância de que amigos, familiares e pessoas que tenham conhecimento de situações de violência não compactuem com esse tipo de comportamento e façam a denúncia.
Fábio Arruda Miranda explicou ainda que a discussão surgiu a partir de uma iniciativa da Unimed Sul Paulista. Segundo ele, a empresa promoveu uma palestra sobre o tema para seus funcionários e, a partir dessa ação, surgiu a necessidade de ampliar a conversa para a comunidade. A avaliação apresentada durante a entrevista foi de que a violência doméstica é uma questão que pode atingir diferentes grupos sociais e envolve uma evolução da cidadania.
Ao final, o Capitão Leme reforçou três pontos como fundamentais no enfrentamento à violência doméstica: informação, prevenção e acolhimento. Segundo ele, essas ações podem contribuir para evitar situações extremas e salvar vidas.
