Setembro Amarelo: psicólogo Gabriel Telles Rodrigues explica sinais de sofrimento e importância do acolhimento
Em entrevista ao Jornal do Meio-Dia deste sábado, 19 de setembro, psicólogo falou sobre prevenção do suicídio, saúde mental, mudanças de comportamento e busca por ajuda

O Setembro Amarelo foi tema de entrevista com o psicólogo Gabriel Telles Rodrigues no Jornal do Meio-Dia deste sábado, 19 de setembro. A conversa abordou prevenção do suicídio, saúde mental, identificação de sinais de sofrimento e a importância de acolher pessoas que podem estar passando por momentos difíceis.
Logo no início da entrevista, Gabriel explicou que uma pessoa pode apresentar sinais antes de chegar a uma situação extrema. Entre eles, estão mudanças bruscas no comportamento, no sono e na alimentação, além do afastamento do convívio social. Segundo o psicólogo, perceber essas mudanças pode ser um primeiro passo para se aproximar e demonstrar disponibilidade.
Gabriel também chamou atenção para a dificuldade de reconhecer o sofrimento de alguém que aparentemente está bem. Para ele, o fato de uma pessoa manter sua rotina, realizar atividades ou demonstrar felicidade não significa necessariamente que ela esteja emocionalmente bem. A experiência de uma vida boa, segundo o psicólogo, é individual e não deve ser medida pela realidade que outra pessoa imagina.
Durante a entrevista, outro ponto discutido foi a necessidade de olhar com mais atenção para situações de sofrimento em Itapetininga. Gabriel afirmou que casos de suicídio não devem ser tratados apenas como números, porque também atingem famílias, escolas, ambientes de trabalho e outras pessoas próximas. Ele defendeu a necessidade de ampliar as ações de prevenção e de levar essa discussão para diferentes espaços da sociedade.
A conversa também abordou a chamada cultura do “aguenta mais um pouco”, relacionada à pressão no trabalho, dificuldades financeiras, problemas familiares e outras situações. Gabriel explicou que, quando uma pessoa responsável por outras pessoas afirma que não aguenta mais, essa fala pode representar um pedido de socorro.
A saúde mental no ambiente de trabalho também foi discutida. O psicólogo relatou atuar com pessoas em situações de burnout e estresse ocupacional e falou sobre a importância de encaminhamento e acompanhamento adequados.
Outro tema foi o estigma relacionado à procura por atendimento psicológico. Gabriel explicou que ainda existe uma associação equivocada entre sofrimento mental e fragilidade ou loucura. Segundo ele, muitas pessoas acabam procurando ajuda somente quando a situação já está muito difícil.
Ao ser questionado sobre como agir quando alguém diz “eu não aguento mais”, o psicólogo destacou que ouvir e abrir espaço para a conversa pode ajudar. Quando a pessoa não estiver preparada para falar, ele orienta que é possível demonstrar disponibilidade sem pressioná-la, enquanto quem está ao redor pode buscar orientação profissional sobre como agir.
Na parte final da entrevista, Gabriel reforçou a importância da prevenção e deixou uma mensagem para quem pode estar enfrentando sofrimento. Ele destacou que é possível buscar ajuda, mudar de ambiente, função ou área quando determinada situação está fazendo mal e procurar novas possibilidades.
Gabriel também lembrou o telefone 188, do CVV, serviço gratuito e anônimo para quem precisa conversar.
