Finitude e luto: Keila Lídio, psicóloga da Unimed, explica como lidar com perdas e fortalecer vínculos familiares
Psicóloga da Unimed aborda os desafios de falar sobre a morte, o processo do luto, a culpa e a importância de valorizar as relações enquanto há tempo.

Falar sobre a morte ainda é um tabu para muitas famílias, mas compreender a finitude, fortalecer os vínculos afetivos e conversar sobre assuntos difíceis pode ajudar a lidar com as perdas de maneira mais saudável. Em entrevista ao Manhã Super Difusora desta quarta-feira (04), Keila Lídio, psicóloga do hospital da Unimed, explicou como as relações familiares influenciam o processo do luto e por que é importante aproveitar o presente.
Segundo a psicóloga, quanto mais sensível é o vínculo entre as pessoas, maior pode ser a dificuldade de lidar com a finitude. Conflitos não resolvidos, conversas adiadas, viagens que não aconteceram e momentos que deixaram de ser vividos podem trazer sentimentos de culpa e frustração diante de uma perda.
Por isso, a reflexão sobre a finitude também precisa acontecer antes da despedida. Rever relacionamentos, demonstrar afeto, conversar e resolver questões pendentes são atitudes que podem contribuir para relações mais saudáveis e para uma vivência mais tranquila do luto.
Diagnóstico não deve ser encarado como sentença
Durante a entrevista, Keila também falou sobre o impacto emocional de receber um diagnóstico. De acordo com a psicóloga, muitas pessoas ainda interpretam o diagnóstico como uma sentença, quando, na verdade, ele deve direcionar o tratamento.
Nesse contexto, podem surgir sentimentos de culpa, tanto em quem recebe a notícia quanto nos familiares, que passam a questionar se poderiam ter feito algo diferente ou cuidado mais da pessoa. A profissional destaca que existem situações que não estão sob o controle das pessoas e que até mesmo quem mantém hábitos saudáveis pode receber um diagnóstico.
Luto não tem prazo nem uma fórmula para ser vivido
Outro ponto abordado foi a ideia de que todas as pessoas precisam passar pelas mesmas etapas do luto. Keila explicou que trabalha com a compreensão de períodos do luto, e não de fases obrigatórias que precisam ser cumpridas em uma determinada ordem.
Cada pessoa vivencia a perda de uma maneira, de acordo com sua história, seus vínculos e o momento de vida. Por isso, não existe um prazo para que a tristeza se transforme em saudade, nem uma medida para avaliar o tamanho do sofrimento de alguém.
A psicóloga também chamou a atenção para a culpa que pode aparecer quando uma pessoa não demonstra a tristeza esperada pelos outros. O sofrimento não deve ser utilizado como uma medida do amor ou da importância de quem partiu.
Além da dor, o luto pode envolver frustração, questionamentos e a sensação de tudo o que poderia ter sido vivido. Quando esse processo se torna muito difícil ou prolongado, a recomendação é procurar ajuda profissional, como acompanhamento psicológico ou grupos de apoio.
Conversar sobre a morte também é falar sobre escolhas
A entrevista trouxe ainda a importância de conversar em família sobre desejos relacionados ao fim da vida, como a realização ou não de um velório e a escolha entre sepultamento e cremação.
Keila explicou que o velório, atualmente, é compreendido como um ritual de despedida voltado principalmente para quem fica, permitindo homenagens, manifestações de afeto e a construção de um momento de despedida.
A psicóloga também destacou que o luto não acontece apenas pela perda de pessoas. A morte de animais de estimação, que muitas vezes fazem parte da família, também pode desencadear um processo de luto.
A reflexão proposta pela profissional é que viver vai além de simplesmente estar vivo. É importante avaliar como estão os relacionamentos, aproveitar os momentos compartilhados e expressar sentimentos enquanto existe a oportunidade.
Falar sobre finitude não precisa ser um assunto restrito aos momentos de doença ou despedida. Conversas difíceis, demonstrações de carinho e a resolução de conflitos podem fazer diferença na qualidade das relações e na maneira como as pessoas enfrentam as perdas.
