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Jornal do Meio Dia

Delegada e vereadora Júlia Nunes alerta para crueldade animal, desafios online e riscos graves para crianças e adolescentes

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A delegada e vereadora Júlia Nunes participou de uma entrevista nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, e fez um alerta contundente sobre o avanço da crueldade contra animais associada a desafios virtuais, crimes digitais e violência envolvendo crianças e adolescentes. O debate foi motivado pela repercussão nacional do caso do cão Orelha, mas, segundo ela, o episódio representa apenas a ponta de um problema muito mais amplo e alarmante.

Durante a conversa, Nunes — que atua tanto na segurança pública quanto no poder legislativo municipal — destacou que práticas de zossadismo (o prazer em impor dor e sofrimento a animais) não são novas, mas passaram a ganhar novas proporções com o uso da internet e de plataformas digitais. Aplicativos e jogos online, como Discord e Roblox, estariam sendo utilizados para estimular desafios cruéis, promover chantagens, expor adolescentes e até induzir automutilação e violência extrema.

A delegada e vereadora ressaltou dados do Núcleo de Observação e Análise Digital (NODE), ligado à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, que indicam que entre 6 e 10 animais são torturados online todas as noites em ambientes virtuais onde usuários assistem, incentivam ou coagem participantes a cometerem atos de extrema crueldade.

Um dos casos citados por Juliana envolve uma adolescente que foi chantageada após enviar imagens íntimas na internet. Em uma sala virtual com dezenas de pessoas conectadas, ela teria sido coagida a praticar um ato de extrema violência contra o próprio animal de estimação, sob ameaça de ter conteúdos íntimos divulgados. Segundo a delegada, situações como essa revelam o nível de manipulação psicológica, exploração emocional e risco real ao qual crianças e jovens estão expostos no ambiente digital.

Além do impacto direto sobre os animais, Nunes destacou que a violência contra animais está cientificamente ligada à violência contra seres humanos, citando estudos reconhecidos pelo FBI por meio da chamada Teoria do Link. De acordo com essas pesquisas, muitos criminosos violentos e serial killers apresentaram histórico de maus-tratos a animais na infância, o que reforça a necessidade de intervenção precoce e prevenção.

A delegada e vereadora também ressaltou que casos de maus-tratos frequentemente revelam outras formas de violência dentro dos lares, como negligência infantil, violência doméstica, abuso sexual e abandono de crianças. Para ela, combater a crueldade animal é uma forma direta de proteger famílias, crianças e toda a sociedade.

Outro ponto central do alerta foi o uso irrestrito de celulares por crianças e adolescentes. Julia Nunes enfatizou que muitos pais desconhecem o que os filhos fazem durante a madrugada em aplicativos e redes sociais — período em que, segundo investigações, grande parte desses crimes digitais ocorre. Ela defendeu diálogo constante entre pais e filhos, monitoramento ativo do uso da internet, instalação de aplicativos de controle parental e a restrição do acesso irrestrito ao celular.

“Deixar uma criança sozinha com um celular conectado à internet pode ser tão perigoso quanto deixá-la sozinha em um ambiente público cheio de desconhecidos”, alertou.

A entrevista também abordou a fragilidade da legislação brasileira em relação à responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes de crueldade animal. Juliana explicou que, atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê apenas medidas socioeducativas, consideradas brandas diante da gravidade de atos extremos. Como vereadora, ela defendeu mudanças na legislação para permitir medidas mais rigorosas, com o objetivo de reduzir a sensação de impunidade e prevenir crimes futuros.

Além disso, Júlia Nunes reforçou a necessidade de fortalecer políticas públicas municipais voltadas ao combate aos maus-tratos, ampliar a fiscalização e estruturar ações permanentes de educação, prevenção e punição.

“A causa animal não é apenas sobre proteger animais. É sobre empatia, prevenção da violência, segurança pública e o tipo de sociedade que queremos construir”, afirmou a delegada e vereadora.