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Jornal do Meio Dia

Volta às aulas aumenta casos de febre em crianças e acende alerta para pais e responsáveis

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O período de volta às aulas costuma estar associado ao aumento de infecções respiratórias e viroses entre crianças, elevando a ocorrência de febre — um dos sintomas mais frequentes nessa faixa etária. Embora o quadro geralmente cause preocupação entre pais e responsáveis, especialistas destacam que a febre, isoladamente, não caracteriza uma doença, mas sim uma resposta natural do organismo a infecções.

Recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou os parâmetros para caracterização da febre infantil. Antes considerada a partir de 37,8 °C, agora a febre passa a ser reconhecida a partir de 37,5 °C na axila ou 38 °C quando medida por via oral ou retal, com aferição de três minutos. A mudança tem como objetivo facilitar a identificação precoce e garantir decisões mais seguras por parte de pais e cuidadores.

Segundo a pediatra e intensivista pediátrica Júlia Camargo Rosa de Melo, do Hospital Amhemed, a febre deve ser interpretada como um mecanismo de defesa do corpo. “Ela costuma surgir quando o organismo está reagindo a infecções, principalmente virais ou bacterianas. A nova diretriz permite reconhecer a febre mais cedo e agir com mais tranquilidade”, explica.

Apesar disso, existem sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata, como:

  • Febre em bebês com menos de três meses;

  • Temperaturas acima de 39,5 °C;

  • Prostração intensa ou sonolência excessiva;

  • Manchas na pele;

  • Dificuldade para respirar;

  • Convulsões;

  • Febre persistente por mais de 72 horas.

“A recomendação atual é reduzir a chamada ‘febrefobia’ e observar mais o estado geral da criança. Se ela está ativa, aceita líquidos e responde bem, isso costuma ser um bom sinal. Em caso de dúvida, o ideal é procurar orientação médica”, reforça a pediatra.

Outro ponto importante é a diferença entre infecções virais e bacterianas. De acordo com a infectologista Tassiana Rodrigues dos Santos Galvão, também do Hospital Amhemed, os quadros virais geralmente apresentam início gradual, febre moderada e sintomas mais generalizados, com evolução autolimitada. Já as infecções bacterianas tendem a ter início abrupto, febre mais alta e persistente, além de sinais localizados, como infecções urinárias, de garganta ou abdominais.

A especialista também alerta para os riscos da automedicação, especialmente o uso indevido de antibióticos. “Administrar medicamentos sem orientação médica pode causar efeitos colaterais desnecessários e contribuir para o surgimento de bactérias resistentes, tornando infecções futuras mais difíceis de tratar”, destaca.

Em casa, o acompanhamento da febre deve ir além da medição da temperatura. Especialistas recomendam manter a criança hidratada, observar seu comportamento, medir corretamente a febre e ficar atento a sintomas como irritabilidade intensa, vômitos persistentes ou recusa de líquidos. Caso a febre persista por 48 a 72 horas ou venha acompanhada de sinais de gravidade, a busca por atendimento médico é indispensável.

Com informação de qualidade, monitoramento adequado e orientação profissional, pais e responsáveis podem agir com mais segurança diante da febre infantil, especialmente neste período de volta às aulas, quando a exposição a vírus respiratórios tende a ser maior.