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Jornal do Meio Dia

Delegada e Vereadora Júlia Nunes fala sobre a luta contra a violência feminina em Itapetininga e os desafios no combate ao feminicídio

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No Jornal do Meio-dia desta terça-feira, 18 de março, a Delegada e Vereadora Júlia Nunes abordou o tema essencial da violência contra a mulher durante o mês internacional de conscientização. A convidada destacou a importância de ter um mês dedicado a pautas femininas, especialmente em um período de reflexão sobre as lutas das mulheres.

“É muito importante, Antônio, a gente trazer esse tema à tona, porque por mais que se fale, ele nunca é demais. As estatísticas ainda mostram o quanto a mulher continua sendo violada em seus direitos, seja pela violência física, moral, psicológica, sexual ou patrimonial. E em nossa cidade, infelizmente, não é diferente”, afirmou Júlia.

Ela também analisou o cenário local, mencionando os casos de feminicídio registrados em Itapetininga, como reflexo de uma cultura machista que persiste no município. “Itapetininga, assim como outras cidades brasileiras, enfrenta esse fenômeno dos crimes contra as mulheres, especialmente o feminicídio, que é um crime de ódio contra a mulher. O feminicídio ocorre muitas vezes pelo simples fato de a mulher tomar decisões que o agressor não aceita, como deixar um relacionamento ou expressar opiniões dentro de casa”, explicou.

Quando questionada sobre as principais dificuldades que as mulheres enfrentam para denunciar seus agressores, Júlia revelou o ciclo de violência que muitas vítimas sofrem, com a crença de que o agressor mudará após uma promessa de perdão ou arrependimento. “Muitas vezes, as mulheres acreditam que o agressor vai mudar, que ele se arrependeu, e o ciclo se repete. A principal dificuldade para denunciar é a vergonha, o medo do julgamento social e familiar. Elas se sentem culpadas pela violência que sofreram, o que as impede de buscar ajuda.”

A Delegada também falou sobre a legislação de proteção à mulher, destacando a Lei Maria da Penha, uma das mais modernas e protetivas do mundo. “A lei é excelente, mas a dificuldade está na aplicação prática dela, principalmente em cidades como a nossa, onde os mecanismos nem sempre são eficazes. No entanto, o descumprimento das medidas protetivas deve ser rigorosamente punido, com a prisão do agressor em flagrante”, afirmou.

Sobre as iniciativas para aumentar a proteção das vítimas, Júlia mencionou projetos que estão sendo desenvolvidos, como a instalação de tornozeleiras eletrônicas para agressores e a implementação da Patrulha Maria da Penha em algumas cidades. Ela ainda destacou a importância de fortalecer os órgãos de apoio às mulheres em Itapetininga, como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher.

“O apoio psicológico e social é fundamental para que a mulher consiga romper com o ciclo de violência. Precisamos de mais investimentos e apoio para esses serviços. A luta contra a violência contra a mulher é um desafio constante, e é nosso dever, como sociedade, fortalecer a rede de proteção e garantir a segurança e dignidade das mulheres”, concluiu Júlia Nunes.

A Delegada falou sobre as dificuldades que enfrenta em sua nova função, além de abordar os desafios que ainda persiste no combate à violência em Itapetininga e no Brasil.

“Está sendo desafiador, mas gratificante” – Essas foram as palavras de Júlia Nunes ao ser questionada sobre sua experiência na política. A vereadora completou recentemente 90 dias de mandato e expressou a complexidade de seu novo papel, afirmando que, embora não seja fácil, está gostando de poder atuar em questões que são fundamentais para a comunidade, principalmente para as mulheres, idosos e pessoas com deficiência. “É algo novo e desafiador. Eu já tinha noção, mas quando se vive na pele, a situação é diferente. A luta é constante, e estou encontrando formas de fazer a diferença”, disse Júlia.
Ela ainda compartilhou a luta que vem travando ao longo dos anos em defesa dos animais. A delegada destacou recentes prisões de agressores de animais em Itapetininga e os esforços para garantir mais proteção aos animais. “Este mês, tivemos prisões de pessoas que maltratavam animais. Um dos agressores usava os pitbulls para reprodução e os mantinha em condições de extrema negligência. Esses avanços nos dão a esperança de que podemos melhorar a situação dos animais na nossa cidade,” afirmou.

Ao final da entrevista, a delegada expressou sua gratidão pela oportunidade de compartilhar suas experiências e desafios. “É uma satisfação imensa poder trabalhar por essas causas. Embora os desafios sejam grandes, a sensação de estar fazendo algo para melhorar a vida das pessoas e dos animais é o que me motiva a continuar,” finalizou Júlia Nunes.